A artrite reumatoide (AR) não afeta só as articulações. A inflamação crônica também ataca o osso — e aumenta o risco de fratura de um jeito que a densitometria, sozinha, muitas vezes não captura.

Em resumo
  • A AR aumenta o risco de fratura em ~1,5× (e o de quadril em ~2×).
  • Esse risco é em grande parte independente da densidade óssea e até do uso de corticoide.
  • Quase metade das pacientes com AR que fraturam têm T-score acima de −2,5.
  • Controlar a atividade da doença e avaliar o osso fazem parte do tratamento.

Inflamação que corrói o osso

Na AR, as mesmas moléculas inflamatórias que atacam a articulação ativam os osteoclastos (células que reabsorvem osso), acelerando a perda óssea em todo o corpo. Some-se a isso o uso frequente de corticoides e a menor atividade física, e o risco de fratura cresce.

Um risco que a densitometria subestima

Uma metanálise internacional de 2025, com quase 2 milhões de pessoas, confirmou que a AR aumenta o risco de fratura de forma independente da densidade óssea, do sexo e do corticoide — tanto que o FRAX será atualizado com esses dados. Na prática, um estudo brasileiro mostrou que quase metade das mulheres com AR que fraturaram tinha T-score acima de −2,5 (fora da faixa de osteoporose). Por isso, especialistas defendem chamar essa perda óssea de "multifatorial", não apenas "induzida por corticoide".

O que fazer

Controlar bem a atividade da doença, usar a menor dose possível de corticoide, garantir cálcio e vitamina D, manter atividade física, prevenir quedas e avaliar o risco de fratura (com FRAX e densitometria) — tratando a osteoporose quando indicado.

Referências científicas

Estudos consultados (via Consensus). Os links levam aos artigos originais.

Importante

Este texto resume achados de estudos científicos com finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Condutas e medicamentos devem ser sempre definidos pelo seu médico.