O tratamento da osteoporose tem um objetivo central: evitar a primeira fratura — ou novas fraturas — preservando função e independência. Ele combina medidas de base (cálcio, vitamina D, exercício e prevenção de quedas) com medicamentos específicos, escolhidos conforme o risco de cada pessoa.
Quem tem indicação de medicamento
- Quem teve fratura de quadril ou vértebra por fragilidade (independentemente do T-score);
- T-score ≤ −2,5 na coluna, fêmur total ou colo do fêmur;
- Osteopenia + FRAX acima do limiar de tratamento.
A base de todo tratamento
Cálcio, vitamina D e estilo de vida
Cálcio 1000–1200 mg/dia (de preferência da alimentação) e vitamina D 800–1000 UI/dia, com alvo de 25-OH-vitamina D ≥ 30 ng/mL. Somam-se exercício de força + impacto + equilíbrio, prevenção de quedas, parar de fumar e moderar o álcool. Sozinhos, cálcio e vitamina D não "tratam" a osteoporose estabelecida — são a base sobre a qual os medicamentos agem.
Os medicamentos, um a um
Bifosfonatos oral / venoso
Alendronato, risedronato, ibandronato e ácido zoledrônico. Primeira linha na maioria dos casos.
Ver detalhes →Denosumabe subcutâneo
Anticorpo monoclonal anti-RANKL, 60 mg a cada 6 meses. Não interromper sem transição.
Ver detalhes →Romosozumabe subcutâneo
Anticorpo anti-esclerostina, osteoformador, por 12 meses. Alto/muito alto risco.
Ver detalhes →Teriparatida subcutâneo
Análogo do PTH (1-34), osteoformador, injeção diária. Osteoporose grave.
Ver detalhes →SERM / Raloxifeno oral
Modulador do receptor de estrogênio, 60 mg/dia. Reduz fratura vertebral e câncer de mama.
Ver detalhes →Terapia hormonal e tibolona oral
Estrogênios e tibolona na pós-menopausa, sobretudo com sintomas climatéricos.
Ver detalhes →A lógica da sequência de tratamento
- No muito alto risco (fratura recente, T-score muito baixo), começa-se por um osteoformador (teriparatida ou romosozumabe): o ganho de osso é maior quando o anabólico vem primeiro.
- Sempre se segue o osteoformador com um antirreabsortivo (bifosfonato ou denosumabe) — sem isso, o ganho se perde em meses.
- O denosumabe nunca deve ser interrompido "solto": exige transição com bifosfonato para evitar o efeito rebote.
Importante
Nenhum medicamento para osteoporose deve ser iniciado, trocado ou suspenso por conta própria. A escolha e a duração são individualizadas pelo médico, com reavaliações periódicas (densitometria e, quando útil, marcadores ósseos CTX e P1NP).
- AACE/ACE 2020 — Postmenopausal Osteoporosis. Endocrine Society — Pharmacological Management.
- Bone Health & Osteoporosis Foundation — Clinician’s Guide.