Osteoporose não é "só de mulher"

Os homens fraturam menos que as mulheres — mas quando fraturam, têm maior mortalidade. Ainda assim, quase não são rastreados. Reconhecer e tratar a osteoporose masculina salva vidas.

Uma doença silenciosa e subdiagnosticada

A mulher tem a menopausa como marco para investigar o osso. O homem não tem um evento equivalente, e o rastreamento simplesmente não é pedido. Muitos homens que sofrem uma fratura por fragilidade recebem alta ortopédica sem investigação óssea nem tratamento — a chamada "lacuna de tratamento", que nos homens é ainda maior.

Por que importa tanto: maior mortalidade

Este é o dado mais impactante do tema. Após uma fratura de quadril, a mortalidade em 1 ano é maior em homens (cerca de 37%) do que em mulheres (cerca de 26%) — aproximadamente o dobro de chance de morrer no primeiro ano. Comparado à população geral da mesma idade, o excesso de mortalidade chega a ~4,6× em homens (contra ~2,8× em mulheres). O sexo masculino é fator de risco independente de morte após a fratura.

1 em 5homens acima de 50 anos terá fratura por fragilidade
~37%de mortalidade em 1 ano após fratura de quadril no homem
25–30%de todas as fraturas de quadril no mundo ocorrem em homens
+310%de aumento previsto nas fraturas de quadril em homens até 2050

Quando investigar (densitometria no homem)

  • Todos os homens a partir dos 70 anos.
  • Homens de 50 a 69 anos com fatores de risco (fratura prévia, corticoide, tabagismo, álcool, baixo peso, hipogonadismo, história familiar de fratura de quadril).
  • Qualquer homem que teve uma fratura por fragilidade (por queda simples).
  • Homens em terapia de privação androgênica (bloqueio hormonal no câncer de próstata) — grupo de altíssimo risco.

O diagnóstico segue o mesmo critério da OMS: T-score ≤ −2,5 caracteriza osteoporose. Um Z-score muito baixo (comparação com homens da mesma idade) reforça a busca por causas secundárias. Veja a página sobre densitometria e T-score.

Causas secundárias são muito comuns no homem

Diferentemente da mulher pós-menopausa, metade ou mais dos homens com osteoporose tem uma causa secundária identificável — e tratá-la faz parte do tratamento. As principais:

  • Hipogonadismo (testosterona baixa) — a causa endócrina mais importante no homem.
  • Terapia de privação androgênica no câncer de próstata.
  • Glicocorticoides (corticoides).
  • Álcool em excesso e tabagismo.
  • Doenças gastrointestinais, hipertireoidismo, doença renal.

Tratamento também funciona em homens

Por muito tempo os estudos foram feitos quase só em mulheres, mas hoje há evidência direta de benefício em homens:

MedicamentoEvidência em homens
Ácido zoledrônico (5 mg IV/ano)Reduziu fratura vertebral em ~67%
Denosumabe (60 mg SC 6/6 meses)Redução de fratura de quadril de ~36% (estudo de mundo real); ganho de densidade confirmado
Bisfosfonatos orais (alendronato, risedronato)Aumentam densidade e reduzem fratura vertebral
Anabólicos (teriparatida, romosozumabe)Opção no muito alto risco e após fratura recente

E a testosterona?

A reposição de testosterona é indicada quando há hipogonadismo (deficiência comprovada), não como tratamento isolado da osteoporose. Em homens de alto risco de fratura, associa-se um medicamento específico para o osso.

Referências:
  • Fuggle N et al. Evidence-Based Guideline for the management of osteoporosis in men. Nature Reviews Rheumatology, 2024 (ESCEO).
  • Endocrine Society — Osteoporosis in Men (2012). Boonen S et al. NEJM 2012 (ácido zoledrônico). Huang Z et al. Osteoporosis International 2025 (denosumabe em homens).