A osteoartrite — popularmente chamada de artrose — é a doença articular mais comum do mundo, afetando cerca de 595 milhões de pessoas. O joelho é a articulação mais acometida, seguido de quadril e mãos.

Não é só "desgaste"

Por décadas a artrose foi vista apenas como o desgaste inevitável da cartilagem pela idade. Essa visão está ultrapassada: hoje entende-se como uma doença de toda a articulação — cartilagem, osso, membrana sinovial (que pode inflamar) e músculos ao redor. Por isso não é sentença de imobilidade: dá para tratar e melhorar muito.

Fatores de risco

FatorObservação
IdadePrincipal fator; cresce após os 50–60 anos
Obesidade / sobrepesoFator maior, sobretudo no joelho — por carga e por inflamação
Sexo femininoMaior prevalência, principalmente após a menopausa
Lesão préviaFraturas, lesões de ligamento e de menisco → artrose pós-traumática
GenéticaForte componente hereditário, especialmente nas mãos
Sobrecarga / fraqueza muscularEsforço repetitivo e músculos fracos aceleram o processo

Sintomas — e como diferenciar da artrite reumatoide

A artrose causa dor mecânica (piora com o uso, melhora com repouso), rigidez matinal curta (menos de 30 minutos), crepitação (ruído de atrito) e redução do movimento. Distinguir da artrite reumatoide é fundamental, porque o tratamento é diferente:

Osteoartrite (artrose)Artrite reumatoide
NaturezaDegenerativa/mecânicaAutoimune, inflamatória
Rigidez matinalCurta (< 30 min)Longa (> 30–60 min)
Com o usoPioraMelhora ao longo do dia
DistribuiçãoAssimétrica (joelho, quadril, mãos)Simétrica (punhos, pequenas juntas)

Diagnóstico

É essencialmente clínico (história + exame). A radiografia confirma e estadia, mas a dor nem sempre corresponde à imagem — há gente com radiografia muito alterada e pouca dor, e vice-versa. Trata-se o paciente, não a radiografia. Exames de sangue servem sobretudo para excluir artrites inflamatórias.

Tratamento com evidência

A base é o movimento, não o remédio

As diretrizes (OARSI e ACR 2019) são claras: exercício terapêutico e perda de peso são o núcleo do tratamento — fortemente recomendados para quase todos. Perder 5% a 10% do peso melhora significativamente a dor e a função do joelho (quanto maior a perda, maior o benefício). E movimento não "gasta" a articulação — protege.

Medidas de apoio: fisioterapia, fortalecimento (sobretudo do quadríceps para o joelho), tai chi, hidroginástica, bengala e calçado adequado quando indicados.

Medicamentos (complemento):

  • Anti-inflamatórios tópicos (ex.: diclofenaco gel) — preferidos no joelho e nas mãos, por eficácia e menor risco.
  • Anti-inflamatórios orais — na menor dose e pelo menor tempo, pesando riscos gástrico, renal e cardiovascular.
  • Duloxetina — opção quando há dor crônica/difusa ou quando os anti-inflamatórios são contraindicados.
  • Infiltração de corticoide — útil para crises de dor, com efeito de curta duração (evitar repetições frequentes).

O que NÃO tem respaldo das diretrizes

Muitos tratamentos populares e caros não são recomendados: glucosamina e condroitina (recomendação forte contra), PRP (plasma rico em plaquetas) e células-tronco (forte contra, por falta de evidência) e ácido hialurônico (controverso). O que comprovadamente funciona — exercício e controle de peso — costuma ser mais barato e mais eficaz.

Cirurgia e prótese

A cirurgia fica reservada para a artrose grave que não responde ao tratamento conservador bem conduzido. Nesses casos, a prótese (artroplastia) de joelho ou quadril traz excelentes resultados. Já a artroscopia com "limpeza" para artrose de joelho não é recomendada (sem benefício sobre o tratamento conservador).

Referências:
  • OARSI Guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular OA (2019). 2019 ACR/Arthritis Foundation Guideline for OA of the Hand, Hip, and Knee.
  • Global Burden of Disease 2021 (Lancet Rheumatology, 2023) — ~595 milhões de casos. OMS/WHO.