Osteoporose secundária é aquela provocada por outra doença ou por um medicamento. Deve ser sempre investigada — especialmente em homens, mulheres antes da menopausa, osteoporose muito intensa para a idade ou má resposta ao tratamento. Nesses casos, além de tratar o osso, é preciso tratar a causa.

Investigação laboratorial comum

Cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, função renal, 25-OH-vitamina D, PTH, TSH, hemograma, eletroforese de proteínas (se suspeita de mieloma), testosterona (homens) e cálcio urinário de 24 h — ampliando conforme a suspeita.

Principais doenças associadas

Endócrinas

Hipertireoidismo (inclusive por excesso de hormônio tireoidiano), hiperparatireoidismo primário, síndrome de Cushing, hipogonadismo (menopausa precoce, baixa testosterona) e diabetes. No diabetes tipo 2, a densitometria pode parecer normal, mas a qualidade do osso é pior — o FRAX pode subestimar o risco.

Gastrointestinais e nutricionais

Doença celíaca, doença inflamatória intestinal (Crohn e retocolite), cirurgia bariátrica e outras situações de má absorção de cálcio e vitamina D.

Reumatológicas e inflamatórias

Artrite reumatoide (que é, inclusive, uma variável do FRAX), lúpus e outras doenças autoimunes.

Renais, hematológicas e outras

Doença renal crônica, mieloma múltiplo (suspeitar em fraturas vertebrais com anemia e hipercalcemia), além de doenças do colágeno, anorexia, DPOC, HIV e transplantes.

Medicamentos que enfraquecem o osso

  • Glicocorticoides (corticoides) — a causa medicamentosa mais importante (ver abaixo).
  • Inibidores de aromatase (câncer de mama) e bloqueio hormonal no câncer de próstata.
  • Anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina, fenobarbital).
  • Inibidores da bomba de prótons (IBP) em uso prolongado, heparina e alguns antidepressivos (ISRS).

Osteoporose por corticoide (GIOP)

É a causa secundária mais comum. A perda óssea é rápida, maior nos primeiros 3–6 meses, e o risco de fratura sobe antes de a densitometria cair. Por isso, recomenda-se avaliar o risco de fratura em quem inicia ou mantém corticoide (equivalente a prednisona ≥ 2,5 mg/dia por 3 meses ou mais). Veja a página completa sobre osteoporose por corticoide (GIOP).

Ajuste do FRAX para dose de corticoide

Como o FRAX só pergunta "sim/não", para doses altas de prednisona (> 7,5 mg/dia) recomenda-se multiplicar o risco de fratura maior por 1,15 e o de quadril por 1,2 (diretriz ACR 2022). Todos devem receber cálcio e vitamina D, e os de maior risco, tratamento específico — em geral bifosfonatos como primeira linha.

Referências:
  • American College of Rheumatology (ACR) 2022 — Glucocorticoid-Induced Osteoporosis.
  • Endocrine Society — Osteoporosis in Men.