Cálcio e vitamina D são o alicerce da saúde óssea. O cálcio dá rigidez ao osso (99% do cálcio do corpo está no esqueleto); a vitamina D é o "porteiro" que permite ao intestino absorver esse cálcio. Sem vitamina D suficiente, o corpo passa a "roubar" cálcio do próprio osso.
Quanto cálcio por dia
| Grupo | Necessidade diária (dieta + suplemento) |
|---|---|
| Adultos 19–50 anos | 1000 mg |
| Homens 51–70 anos | 1000 mg |
| Mulheres ≥ 51 anos e homens ≥ 71 anos | 1200 mg |
Prefira o cálcio da comida
Esse total conta tudo o que você ingere no dia — não é uma dose de comprimido "por cima" da dieta. A recomendação atual é priorizar o cálcio dos alimentos e usar suplemento só para cobrir a diferença. Boas fontes: leite, iogurte e queijo (1 copo de leite ≈ 300 mg), sardinha com espinha, brócolis, couve, tofu e gergelim. Se usar suplemento, prefira doses de até 500 mg por vez, junto das refeições.
Quanto de vitamina D
| Grupo | Necessidade diária |
|---|---|
| Adultos até 70 anos | 600 UI |
| Adultos acima de 70 anos | 800 UI |
| Osteoporose / deficiência | Em geral 800–2000 UI/dia (reposição orientada) |
O estoque de vitamina D é medido pelo exame de 25(OH)D. O alvo é controverso e depende do contexto: para a população geral saudável, ≥ 20 ng/mL costuma bastar; em quem tem osteoporose ou alto risco, muitas diretrizes (incluindo a brasileira) preferem ≥ 30 ng/mL. Perseguir níveis muito altos (acima de ~50 ng/mL) não traz benefício e aproxima do risco de excesso. A diretriz da Endocrine Society (2024) reforça que adultos saudáveis abaixo de 75 anos não se beneficiam de suplementar "por precaução" acima da cota diária.
Segurança: nem falta, nem excesso
- Cálcio em comprimido e coração: algumas análises sugeriram aumento de ~25–30% no risco de infarto com cálcio suplementar (não com o da dieta). A evidência é inconsistente, mas reforça: priorizar a comida e não exceder o necessário.
- Pedra nos rins: o excesso de cálcio suplementar aumenta modestamente o risco; já o cálcio da dieta tende a ser protetor.
- Megadoses de vitamina D (muito acima do necessário, ou "doses de choque" por conta própria) podem causar excesso de cálcio no sangue. O limite superior para adultos é 4000 UI/dia. Mais não é melhor.
O papel real na osteoporose: base, não protagonista
Este ponto gera muita confusão. Sozinhos, cálcio e vitamina D têm efeito modesto na prevenção de fraturas na população geral — por isso não se recomenda suplementar todo mundo indiscriminadamente. Mas eles são a base de todo tratamento de osteoporose: os grandes estudos que provaram que os medicamentos antifratura funcionam foram feitos sobre uma reposição adequada de cálcio e vitamina D. Iniciar um medicamento com o paciente deficiente compromete o resultado e pode ser inseguro.
Em uma frase
Cálcio e vitamina D não são "o remédio da osteoporose" — são o terreno preparado para que o tratamento funcione. Indispensáveis exatamente por isso.
- Endocrine Society — Vitamin D Clinical Practice Guideline (2024). National Academy of Medicine (IOM) — DRIs de cálcio e vitamina D (2011).
- ABRASSO/SBEM. Debate cálcio suplementar e risco cardiovascular (metanálises de Bolland). Women’s Health Initiative (cálculo renal).