O tratamento da osteoporose mudou de lógica nos últimos anos. Para quem tem risco muito alto de fratura, a evidência aponta para começar pelos remédios que constroem osso (anabólicos) — e não pelos que apenas freiam a perda.

Em resumo
  • Anabólicos (teriparatida, abaloparatida, romosozumabe) reduzem fraturas mais que os bisfosfonatos.
  • No muito alto risco: estratégia “anabólico primeiro”, seguida de um antirreabsortivo.
  • Romosozumabe seguido de denosumabe ganhou mais densidade que denosumabe sozinho.
  • O denosumabe nunca deve ser interrompido sem transição, pelo risco de efeito rebote.

Anabólicos ganham destaque

Duas grandes metanálises em rede (uma publicada no BMJ, outra para o American College of Physicians) concluíram que os agentes osteoformadores — teriparatida, abaloparatida e o romosozumabe (que forma osso e freia a reabsorção ao mesmo tempo) — reduzem fraturas mais do que os bisfosfonatos. Isso reforçou a estratégia de, no paciente de muito alto risco (fratura recente, T-score muito baixo), começar pelo anabólico e depois "travar" o ganho com um antirreabsortivo.

A ordem importa (terapia sequencial)

A sequência faz diferença. Uma análise dos estudos FRAME mostrou que romosozumabe seguido de denosumabe produziu mais ganho de densidade e menos novas fraturas vertebrais do que denosumabe desde o início. Já usar um antirreabsortivo antes do anabólico tende a atenuar o efeito de construção óssea.

Um cuidado que não muda

O denosumabe não pode ser interrompido "solto": a suspensão sem transição (geralmente com um bifosfonato) pode causar um efeito rebote com múltiplas fraturas vertebrais. Toda essa estratégia é individualizada pelo médico.

Referências científicas

Estudos consultados (via Consensus). Os links levam aos artigos originais.

Importante

Este texto resume achados de estudos científicos com finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Condutas e medicamentos devem ser sempre definidos pelo seu médico.